Villa La Angostura – Um encanto de cidade na Argentina.

Aproveitando essa brisa fresca que vem chegando com o nosso tímido inverno goiano, aqui vai mais um post sobre uma região bem familiarizada com temperaturas negativas.

Villa La Angostura é uma pequenina cidade cheia de graça que se localiza no departamento Los Lagos da Patagônia Argentina, ao sul da província de Neuquén, próxima a San Carlos de Bariloche. Fica na margem noroeste do Lago Nahuel Huapi e rodeada por um belo bosque nativo.

Estive lá em Agosto de 2012 com a família e um casal de amigos da família com seus filhos e pudemos desfrutar muitos dos encantos que a região pode oferecer. Rodeada por uma natureza exuberante e em grande parte virgem, como lagos cristalinos, montanhas, vales e bosques, Villa La Angostura entrou para a minha lista de lugares mais bonitos que já vi. E não faltou o que fazer. Quase faltou foi memória nas máquinas fotográficas.

O aeroporto mais próximo é o de Bariloche, que fica a aproximadamente 80km de distância. Pegamos um transfer no aeroporto e fomos direto para o hotel, curtindo a paisagem daquela estradinha linda. Já peço perdão pela redundância, pois linda é uma palavra com a qual você irá se deparar mais vezes ao longo deste texto.

Ficamos no Bahia Manzano, que fica em Puerto Manzano, que, por sua vez, já vale a viagem por si só. Nosso quarto mais parecia um flat. Tinha uma cama de casal em um aposento à parte, um banheiro, uma pequena cozinha, mesa com quatro cadeiras, duas camas no que seria a sala e uma varanda. O “flat” era todo aquecido, inclusive o assoalho (como é gostoso acordar e por os pés num chão quentinho). Compramos coisas de café da manhã no supermercado da cidade e era no quarto mesmo que quebrávamos o jejum matutino. Fizemos uns dois jantares lá também (risoto com filé e cogumelos) pra encerrar dias mais cansativos. O hotel tinha um restaurante (na foto abaixo, à esquerda), uma loja de souvenires, um jardim muito bem cuidado e uma piscina (?!).

A varanda do quarto era virada para esta vista.

A varanda do quarto era virada para esta vista.

 Bahia Manzano (1)

Depois que fizemos o check in, fomos matar a fome no restaurante do hotel. Tomamos um vinho (não me lembro qual era, mas me recordo que todos que experimentamos durante a viagem apreciei bastante) e comi uma truta deliciosa com batatinhas como acompanhamento. A propósito, a localidade conta com uma infraestrutura gastronômica de alto nível. Não oferece grandes variantes emrelação aos demais povos da cordilheira patagônica, mas o que oferecem é excelente: trutas, cervos, javalis, cogumelos…

Satisfeitos com o almoço, pegamos o ônibus que passa de hora em hora na porta do hotel para a cidade e fomos conhecê-la.

Villa La Angostura tem, basicamente, uma avenida principal, onde boa parte da vida acontece, e suas ruas anexas. Assim, meio que como Las Vegas. E, com montanhas ao fundo, é linda do começo ao fim.

Parte do charme da cidadezinha se deve às condições de edificação, que respeitam um tradicional estilo alemão, e um intrincado conjunto de normas que lhe permite obter um estilo arquitetônico singular. Não se observam, por exemplo, edifícios. Em geral, as construções estão limitadas a dois ou três pisos, dependendo da zona. Estabeleceu-se, também, que as edificações devem levar em sua grande maioria elementos existentes no lugar, tais como madeira e pedra. Bem rústico e aconchegante.

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Passeamos por ela, entramos nas lojas, experimentamos algumas iguarias e tomamos chocolate quente (ou choconhaque, a depender do tamanho do frio). Aliás, chocolate quente teve um papel fundamental lá. Nada como ele para manter o corpo devidamente aquecido. Tenho certeza que sem ele a vida humana já teria sido extinta na região.

Minha má(boa)madrasta curtindo as iguarias.

Papi preparando seu choconhaque.

 

Vale experimentar o sorvete deles, que também entra para a categoria de doces maravilhosos. Isso, claro, se tomar um chocolate quente logo após para recuperar a temperatura corporal.

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Como fomos no inverno, aproveitamos a presença da neve para brincar de praticar esqui. Ouvi por lá que no verão tem mais opções para os esportistas e aventureiros. O aumento de temperatura permite, entre outros, desfrutar das praias de seus numerosos lagos, praticar windsurf, kayakismo, mountain bike, canoagem, caminhadas, corridas a pé, cavalgadas, pesca esportiva, mergulho e excursões em 4×4 ou Fourtracks. Como boa parte desses esportes se dão dentro ou em qualquer nível de contato com a água, para mim – que com 30 graus já coloco casaco e começo a cogitar colocar luvas -, tudo isso me soou um tanto paradoxal, ainda que no verão. A menos, talvez, que se vestisse roupas de inverno, mas isso também seria paradoxal.

Enfim, coloquei minhas 15 camadas de roupas e fui por os pés em uma prancha de esqui pela primeira vez. Também foi a primeira vez da minha irmã, que na época tinha 9 anos. Disseram, inclusive, que a idade ideal para criança começar a esquiar é por volta de uns 4 anos de idade. E, experiência própria, o começo é bem mais fácil para crianças que para adultos. Incrível como os pequenos parecem serem feitos de mola. Do mesmo jeito que caem já estão de pé – enquanto nós, pobres adultos, ficamos lá, estatelados no chão, esperando por uma intervenção divina que nos coloque de pé sem precisar tirar as pranchas.

Mas a sensação de deslizar montanha abaixo sobre a neve – ainda que sem muito controle – é literalmente sensacional. Muito cuidado com joelho. Em especial quem já tem algum problema. Minha (boa)madrasta caiu de mau jeito e seu joelho, que já não estava de muito bom humor, deu uma torcida que a deixou com dores por muito tempo ainda.

A prática se deu no Cerro Bayo, que fica a 9km da cidade. O Cerro Bayo tem 1.050 metros de altura, 12 quilômetros de pistas esquiáveis em 23 pistas com 4 níveis de dificuldade. Alugamos um carro e meu pai nos levou. Muita atenção se for alugar carro. As estradas são cheias de neve e escorregadias. Na volta do dia de esqui, então, o cansaço toma conta da atenção e o perigo é triplicado. Como meu pai, que já tinha esquiado uma vez anos antes e para ele uma vez já era o suficiente para esta vida, estava dirigindo e não teria esse cansaço, era mais tranquilo.

Alugamos roupas e equipamentos no dia anterior na cidade (é mais barato do que no Cerro e não perde tempo esquiável com isso também), compramos o passe do teleférico na base e subimos para as nossas poucas horas de aula. É importante pegar aula. Se puder pegar individualmente então é melhor ainda.

No primeiro dia fiquei só nas três pistas para iniciantes. Depois me aventurei na pista quatro, que descia um pedaço bom da montanha, mas não foi tão boa a experiência. Não nevava há dias e nem tinha sido um bom ano para neve, então o pedaço final da pista não tinha neve e, para pegar o teleférico para voltar, ou eu pegava um outro que levava a uma pista avançada ou eu colocava os esquis nos ombros e descia andando até o que leva de volta para as pistas iniciantes. Por segurança, escolhi a segunda opção. Fiz isso duas vezes, mas andar morro abaixo com aquela bota que inclina naturalmente seu corpo para a frente foi um exercício que exauriu muito a minha força. Cheguei da última aventura pela pista quatro tremendo até os olhos, tomei um chocolate quente para renovar as energias e voltei a brincar só na três mesmo.

Cerro Bayo (7)

Pista 1, onde tivemos aula.

Ferrinho que nos puxava de volta para o topo da pista.

Cerro Bayo (10)

Pista 3.

Cerro Bayo (1)

Pista 2.

 

Mas é claro que teve boneco de neve!

Deus salve a rede de segurança. Não fosse ela, não sei aonde eu ia parar.

  

 

Cerro Bayo (11)

Subindo para a pista iniciante.

Cerro Bayo (13)

Vista do topo da pista 1, ao lado do restaurante.

  • SAN CARLOS DE BARILOCHE

Além do Cerro Bayo, conhecemos também o famoso Cerro Catedral, que fica em Bariloche. Pegamos um ônibus na mini rodoviária de Villa La Angostura e partimos rumo a Bariloche. Lá, pegamos um ônibus local cheio de pessoas carregando equipamentos de esqui e, 19km depois, fomos parar no Cerro Catedral.

O Cerro é enorme, conta com cerca de 53 pistas de diversos níveis de dificuldade e a altitude máxima montanha é de 2180 metros. Tem diversos pontos de elevação e mais pessoas do que eu conseguia contar. Parecia carnaval, pontos coloridos esquiando para tudo que era canto que eu olhava.

Subimos por meio de um teleférico até o topo e vislumbramos lá de cima toda aquela vida daqui de baixo pelo tempo que o vento gélido nos permitiu. E como era gelado.

Cerro Catedral (2)  Cerro Catedral (3)

 

Depois de saborearmos bem a vista e de eu já não sentir meus pés (que não estavam devidamente protegidos por botas apropriadas para neve) há muitos preocupantes minutos, descemos a montanha para restabelecer os sentidos ao corpo com um chocolate quente e um fogareiro.

Cerro Catedral (1)  Cerro Catedral (4)

 

 

Do Cerro fomos para o centro de Bariloche, onde vimos alguns cachorros da raça São Bernardo preguiçosamente tomando sol em uma praça, passeamos e comemos mais iguarias e doces gostosos.

  • PARQUE NACIONAL LOS ARRAYNES

Outro passeio legal que tem para fazer lá e que aproveitamos para fazer é o do Parque Nacional Los Arrayanes. Pegamos um barco que saía do Pier de Villa La Angostura até a entrada do parque. Chegamos no Pier antes da hora de saída do barco e aproveitamos para almoçar um cordeiro no restaurante que fica logo ao lado. Excelente comida e vista, diga-se de passagem.

Pier (2)

Pier de Villa La Angostura.

Pier (1)

Varanda do restaurante do Pier.

Parque Nacional Los Arrayanes (4)   Pier (3)

Pier da entrada do bosque no Parque Los Arraynes.

Parque Nacional Los Arrayanes (1)

O parque exibe uma mostra da ecorregião do bosque andino patagônico, na qual predomina uma árvore de crescimento lento e cor quase caramelizada que, em conjunto, dá um efeito bem agradável aos olhos. Descemos do barco e fomos andando pelo bosque, seguindo a trilha já demarcada e ganhamos um chocolate quente no final.

Parque Nacional Los Arrayanes (7) Parque Nacional Los Arrayanes (8)

  • VILLA TRAFUL

Separamos um dia também para pegar o carro e passear pela região. Fomos até Villa Traful, que pega um pedaço da estrada que leva até San Martin de Los Andes, rodeando lagos e montanha.

Villa Traful passou a sensação de ser ainda menor que Villa La Angostura e de ter população canina superior à humana. Mas é também uma gracinha. Almoçamos por lá mesmo – não resisti e pedi truta mais uma vez e essa foi a melhor que comi por lá (vinha inteira, partida ao meio e com molho de amêndoas). Eles tinham uma fábrica de chocolate lá também, pelo que nos disseram, mas não conseguimos achá-la, então voltamos sem experimentar os chocolates recém fabricados.

Vaquinha bonita argentina.

Na estrada para Villa Traful.

 

Pier de Villa Traful.

Pier de Villa Traful.

  

 

Villa Traful (8)

Lago na beira da estrada.

Villa Traful (7)

 

 

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Cachorros soltos na rua.

Capela Nossa Senhora de Villa Traful.

 

Infelizmente não vimos o Mirador Del Viento, um ponto turístico famoso de Villa Traful. Mas se no Pier já ventava impiedosamente, consigo nem imaginar a quantidade de vento que deve passar pelo Mirador.

Para encerrar a viagem, compramos geleias e chocolates de lembrança, e, com o gostinho na boca do último chocolate quente que tomamos, pegamos os 80 km de volta para o aeroporto. De volta para o nosso calorzinho, mas com a lembrança vividamente marcada pelo aconchegante frio de Villa La Angostura.

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12 comentários sobre “Villa La Angostura – Um encanto de cidade na Argentina.

    • Olá, Bernard.
      Sinto muito, mas essa esfera da viagem eu desconheço. Meus conhecimentos não lhe seriam de grande valia, então.
      Só recomendo levar seu passaporte (ainda que os nossos vizinhos aí aceitem carteira de identidade, se ela for muito antiga eles podem recusar. Com passaporte não tem perigo, porque ele está sempre atualizado, já que deve ser renovado a cada 5 anos).
      No mais, aproveite esses mais de 4 mil km e me conte depois como foi. Você vai passar por regiões maravilhosas!
      Boa viagem!

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  1. Adorei o post e as dicas. Estou querendo ir em julho com a minha filha de 9 anos. Uma dúvida: não pretendo alugar carro por lá. Você acha que será fácil conseguir transporte para Cerro Bayo e fazer outros passeios assim? Agradeço se puder responder. Um abraço!

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    • Olá, Van! Fico feliz que tenha gostado!
      Sim, é possível fazer tudo com transporte público. Nesse site tem tabelas com os trechos e preços dos transportes públicos:
      http://www.diario7lagos.com.ar/horarios-y-costo-del-transporte-publico-en-angostura/
      Como pode perceber, tem vários pontos de/para Cerro Bayo. O coletivo urbano também faz paradas no Puerto Manzano, no Lago Correntoso, Playas Mansa e Brava (de onde saem os barcos para Bosque de Arrayanes). E do terminal da cidade você pode pegar ônibus para Villa Traful (uma vila super fofa que fica a 65 km de Angostura) e mesmo Bariloche.
      Desculpe pela demora na resposta. Espero que tenha ajudado, ainda assim.
      Boa viagem!

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  2. Oi td bem?!
    Obrigado pelas informações! São muito úteis para decidir um roteiro legal.
    Uma dúvida rápida por favor: Pretendo ir na primeira quinzena de setembro, acha que ainda consigo neve suficiente para esquiar no Cerro Bayo? Essa é a única data disponível que tenho para viajar, e seria bom eu já me preparar pra caso eu chegar lá e não ter neve…

    Obrigado novamente!
    bjos

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    • Olá, Jean, fico feliz que minhas dicas tenham sido úteis!
      Eu diria que é um tanto arriscado. Quando fui (em agosto) tinha neve, mas ela já não estava muito legal (parte da montanha já estava derretida e peguei muito trecho com mais gelo que neve). Mas é uma caixinha de surpresas, já ouvi histórias de pessoas que conseguiram esquiar tranquilamente em setembro. Então depende do que São Pedro planeja para você. hehe
      Mas olha, acho que dá para confiar que vai dar para esquiar sim, ainda que você não pegue uma neve muito pura e acabe pegando mais gelo. Não é a mesma coisa, mas vale a pena do mesmo jeito!
      Boa viagem!

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  3. oi este hotel que vcs ficar Bahia Manzano tinha cozinha completa com fogão mesmo e panelas ou só microndas ou panela eletrica, dava para cozinhar na boa? e o hotel era bom? café da manhã decente? obrigado

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    • Olá, Paulo! Sim, tinha cozinha completa, com fogão e panelas mesmo. Fizemos um jantar lá e a estrutura foi bem aceitável. O hotel era maravilhoso, mas não incluía café da manhã (pelo menos não o nosso plano). Então compramos comida no supermercado da cidade e guardamos no frigobar da cozinha. Foi ótima nossa estada por lá!

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