Amazonas e o Cruzeiro pelo Rio Negro

 

E aí você pensa: “Mas como, cruzeiro em rio”? É, parece não fazer sentido e, sim, eu sei que é difícil imaginar um rio tão largo que nem se vê o outro lado da margem, mas acredite, existe e é fantástico! De acordo com os guias do cruzeiro, o Rio Negro, em tempos de grandes cheias, chega a ter 20km de largura – e isso não é nada comparado ao Solimões, que pode chegar a 60km. Não sei precisar se essa medição é veraz, mas posso dizer que meu subconsciente muitas vezes me fez querer pensar que estava em alto mar – ou quase.

Desembarcamos, minha família e eu, na cidade de Manaus em julho passado. Não vou me delongar com muitos detalhes sobre a cidade, porque minha sintonia com ela não foi das melhores. Acho que o fato de terem roubado minha vó e clonado meu cartão por lá em tão curto espaço de tempo pode ter influenciado um pouco minha opinião… mas, bom, tirando o teatro, o mercado municipal e a gentileza dos habitantes, de uma maneira geral a cidade não deixou uma boa primeira impressão.

Chegamos num sábado à tarde e fomos direto para as mediações do teatro, belo teatro, onde achamos o restaurante Tambaqui de Banda, e sentamos para almoçar/jantar. Pedimos um Caboco Enrolado (rolinhos de banana pacovâ frita recheados com pirarucu seco ao cream cheese -> R$ 21,90 por 6 rolinhos), uma porção de camarão ao alho e óleo (R$ 42,90), uma porção do famoso Tambaqui de Banda da casa para 5 pessoas (assado na brasa com baião de dois, arroz branco, farofa e vinagrete -> R$ 119,90), e um risoto de tucupi e jambu (R$ 13,90). É, a gente estava com fome. Mas as porções não eram particularmente fartas, e não sobrou nada. A comida era ok – o peixe era gorduroso e parecia de criatório – e o atendimento bem fraco, mas a caipifruta de jenipapo fez sucesso. E tinha uma roda de samba tocando perto de nós que fez valer a trilha sonora.

 

Na volta para o hotel, passamos na famosa sorveteria Glacial, onde o atendimento era legal, mas os sorvetes nos fizeram ter saudades da Frutos do Brasil. Para mim eram um tanto doces demais. De qualquer forma, vale conhecer para experimentar os de sabores de frutas regionais.

No dia seguinte, segundo dia, fomos conhecer o Mercado Municipal Adolpho Lisboa. Ficamos bastante tempo saracoteando entre as banquinhas, em meio a tantos artesanatos legais, cosméticos, peixes, castanhas, açaí, etc. Saímos de lá satisfeitos com nossa muamba e fomos almoçar no restaurante O Lenhador, que fica próximo à praia da Ponta Negra. Aprovadíssimo o restaurante, que serve um buffet de comidas regionais por R$ 89 por pessoa. Também servem a la carte, mas aconselho o buffet, pois onde mais você consegue comer à vontade de caldo de piranha, picadinho de tartaruga, farofa de tartaruga, jacaré grelhado, rabada bovina, linguiça de tambaqui, pirarucu grelhado com castanha de amaz, ventrecha de pirarucu assada na folha de bananeira recheada com banana pacovâ, sarapatel de tartaruga, picadinho de tambaqui, costela de tambaqui, risoto de jambu com camarão, peixe no tucupi, e pato no tucupi na mesma refeição? Isso sem contar as sobremesas, que incluíam pudim de tapioca, pudim de claras (que derrete na boca com uma delicadeza só), doce e creme de cupuaçu, dentre outros. O tempero da casa é excelente e o atendimento fantástico – acho que os garçons de lá são iniciados em ninjutsu ainda em tenra idade.

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A foto não está bonita, mas juro que a comida estava deliciosa!

Na saída, fomos conhecer a praia de Ponta Negra. Quente, bonita, e cheia de gente que aproveitava o domingo de férias para tentar amenizar a temperatura que os 15 sóis de lá lhes infligia  nas águas do belo Rio Negro.

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À noite fomos passear no C.S.U. do Parque Dez, onde estava acontecendo um evento festivo – uma espécie de festa junina. Parecia um parque de diversões, com várias banquinhas de comida e brinquedos típicos de parque. Estava muito quente, cheio, e perdemos as apresentações de dança por termos chegado tarde, mas valeu a ida, pois comemos uma batata frita em espiral e empanada na farinha de mandioca – bem gostosa e diferente de todas as batatas que já comi. Para suavizar o calor, apesar de nem tanto a balança, comemos também um sorvete de chapa (óreo + nutella).

 

O terceiro dia de viagem, uma segunda-feira, começou na busca por luminárias com escamas de pirarucu nas lojas e feiras de artesanato do centro. Achamos muitas coisas interessantes por lá. Depois da andança, sentamos para almoçar no Fiorentina, restaurante com buffet por kg (R$ 59 o kg). Comi uma moqueca de pirarucu bem gostosa, costela de tambaqui grelhado, lascas de bacalhau e uma batata recheada com camarão deliciosa.

Pouco antes das 16h, fomos para o porto fazer o check-in no navio em que navegaríamos pelo Rio Negro (fizemos só ele, sem o Solimões), onde recebemos um cocktail de boas-vindas junto com as informações. Pegamos a chave da cabine (as cabines são duplas – lindas, confortáveis e todas com varanda), nos deliciamos um pouco com nosso novo, embora temporário, quarto e subimos para o terraço ver o sol e o navio partirem, apreciando drinks diversos enquanto nos alto falantes tocavam música clássica.

 

Após zarpar, navegamos por aproximadamente 30 minutos e ancoramos no meio do rio, pouco depois de passarmos por baixo da ponte sobre o Rio Negro.

Às 19h, apresentaram uma palestra sobre a Amazônia e forneceram informações sobre os passeios que faríamos. Às 20h, liberaram o jantar, com um buffet maravilhoso – pratos quentes, frios, sopas, cremes, sobremesas e vinhos. Na seguida, assistimos a um show de mágica no segundo andar.

No quarto dia de viagem – e segundo do cruzeiro -, tomamos um farto e delicioso café da manhã às 7:30h, pois logo às 8h já saía o primeiro passeio: caminhada na região do Igarapé “Jaraqui”. Nosso guia, Conrado, mostrou diversas árvores locais e suas diversas propriedades medicinais, cosméticas, etc, como a chamada Breu (usam muito para fazer cosméticos), a do condimento cravo, a de onde tiram o chiclete, mertiolate, e várias outras. Fez também uma pequena demonstração de sobrevivência na selva, inclusive mostrando como fazer fogo, disfarçar seu cheiro com cupim de formiga, e explicou detalhes do solo – arenoso – e clima locais.

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Por volta das 10:30h, retornamos ao navio e, às 11:30h, vimos uma palestra de Introdução à Amazônia, onde nos explicaram particularidades interessantes do rio e da geografia da região. Foi então que descobri que o PH da água do Rio Negro é ácida, o que prejudica a proliferação de insetos (ponto positivo, nem precisamos de OFF) e, consequentemente, do resto da cadeia alimentar de uma forma geral. É o que explica a pequena quantidade de animais vistos nas margens – ao contrário do que acontece no Solimões. Mas isso não nos impediu de ver alguns jacarés, macacos, bichos preguiça, araras e tucanos, ainda que poucos.

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Às 12h, fizemos visita à ponte de comando, onde explicaram o funcionamento do navio. Por ser navio de rio, a calagem é super pequena – 4 metros, se não me falha a memória. Outros detalhes interessantes foram expostos, como o fato de que a água usada para tomar banho não é a do rio – talvez pelo baixo PH -, que o navio possui 2 geradores para garantir que sempre haja energia para manter os condicionadores de ar das cabines e demais aparelhos funcionando sempre e que no total o navio sobe uns 60km só pelo rio durante o cruzeiro.

Saímos da ponte de comando e subimos para o deck, onde estavam servindo snacks diversos – salsichas, pizzas, hambúrgueres, frios, omeletes e massas feitas na hora. Tomamos drinks curtindo a vista da floresta bem de perto, pois nesse momento navegávamos próximos a uma das margens.

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Às 12:30h a tripulação ofereceu um bingo – valendo 1 bolsa e massagem, e às 13h e pouco descemos para o restaurante, para mais um farto almoço. Tiramos um tempo para um cochilo após o almoço – porque né, ninguém é de ferro – e às 17h saímos para um passeio de lanche na região de “Três Bocas”. Pegamos o sol de pondo no rio, que mais parece um espelho e refletia pedaços do céu em meio aos fragmentos de folhas douradas pelo toque do poente sol. Lindo, lindo, lindo.

 

Na volta do passeio, e após o jantar, subimos para o terraço do navio, onde os tripulantes apresentavam músicas nacionais com sua divertida e bem montada banda.

No quinto dia de viagem – e terceiro do cruzeiro -, saímos logo após o café da manhã para visitar uma comunidade indígena local, no Rio Cuieiras, os Kambebas. Após contar um pouco de sua história aos visitantes, eles cantaram o hino nacional em sua própria língua e apresentaram a aldeia. É até que bem moderna, com gerador de energia, posto para atendimento médico e escola para ensino fundamental e médio. Mas ainda conservam muito de suas tradições. Pintaram nossos rostos com urucum e algumas crianças deram a mim e minha irmã várias florzinhas amarelas e cajus. Ao final, nos mostraram artesanatos que fazem para vender e ofereceram tapiocas e bananas assadas como cortesia, além de chás.

 

À tarde teve pesca de piranhas, mas dessa não participei, então não sei dizer como foi. Preferi fazer o passeio de lancha na região de Acajatuba e visita à casa caboclo, onde explicaram todo o processo de produção da tapioca. Claro que comemos um pouco dela com manteiga também, para checar se falavam a verdade. =D

 

 

Após o jantar, às 21:30h, partiu um passeio de lancha para focagem de jacarés na região Ariaú. Os guias pegam alguns jacarés na água para mostrar – de tamanhos diversos – nesse passeio (pobrezinhos, ficam com cara de aterrorizados). Mas o melhor do passeio para mim foi o vento fresco – alívio para o calor constante – batendo no rosto ao mesmo tempo em que, recostada no banco da lancha em movimento, eu apreciava aquele mundo de estrelas no céu. Pena que foto nenhuma consiga capturar a magnitude da vista e da sensação.

O nosso sexto dia de viagem – e quarto do cruzeiro – não amanheceu, madrugou. Tudo para, de um passeio de lancha matinal na região de Ariaú, podermos ver o sol nascer naquela imensidão de água. Mas ele, mal educado que só, não quis dar as caras e subiu escondido atrás das nuvens. Tivemos o azar de pegar uma ‘frente fria’ bem nesse dia. Voltamos para tomar café da manhã e, logo em seguida, saímos de novo para nadar com botos cor de rosa na região de Acajatuba. Os botos, macios e comilões (chegam a comer em média 8kg de peixe por dia), foram bem amigáveis conosco e, para contrariar as diversas histórias e lendas contadas pelos guias, ninguém saiu particularmente seduzido do encontro.

 

À tarde teve passeio para conhecer o Museu do Seringueiro na região do Tarumazinho, mas esse passeio eu infelizmente perdi por confusão da saída da lancha. À noite teve o jantar do comandante, com comidas típicas da região e, de enfeite, frutas lapidadas com fauna da região. Não deu tempo de anotar toda a variedade de comida, mas, repito, era farta. Foi então que experimentamos o famoso Tacacá – veja por si próprio, vale a experiência. Para mim, o melhor dele é o jambu, aquela folha que deixa a língua dormente. A sensação é bem divertida!

 

Após o jantar, teve apresentação folclórica de um grupo de dança na ‘boate’ do segundo andar. Muito legal a apresentação. O pessoal dançava muito bem.

O dia seguinte, nosso sétimo dia de viagem – e quinto do cruzeiro -, também madrugou, pois às 6h em ponto estávamos no ponto de observação do encontro das águas do Rio Negro e Solimões. Muito curiosa a divisão, parece mesmo ter uma divisória invisível, mas confesso que não peguei a explicação dela. De quebra, ainda pegamos um belo nascer do sol.

 

Às 8h aportamos no Porto de Manaus e desembarcamos por volta das 9h (já meio atrasados), mas não sem antes fazer um brinde de despedida.

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Finalizado o cruzeiro, voltamos para o hotel. Depois fomos fazer o tour pelo belo teatro Amazônia, oportunidade em que já compramos o ingresso para o evento da noite (apresentação da orquestra de lá, com filmes cult como tema) e saímos para almoçar no shopping Manauara, a fim de conhecê-lo.

À noite fomos à apresentação e saímos encantados. A apresentação foi fantástica, abordando as músicas tema de filmes como Psicose, Laranja Mecânica, 5o Elemento, 2001, uma Odisseia no Espaço, etc.

 

No dia seguinte, nosso último dia, voltamos ao mercado para comprar mais artesanatos e uns peixes, camarões e, claro, açaí puro (R$ 9,00 o litro). Aproveitamos para almoçar por lá mesmo – comemos uns peixes fritos que estavam muito gostosos (em especial a sardinha). Empacotamos as compras todas e partimos para o aeroporto, já planejando voltar para navegar pelo Solimões.

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Fim!

-> Clipe da viagem:

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