Por que saracotear é preciso?

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Dias atrás estava devaneando com uma amiga sobre viagens e o trem Transiberiano pegou ingresso na nossa conversa. Eu já tinha ouvido falar dele e das belezas em seu caminho e, em toda minha inocência, já me imaginava pegando o trecho Moscou – Pequim como quem vai daqui até a esquina e volta. Pensava que gastaria uns três dias nessa trajetória. Cinco, no máximo. Mal sabia eu que, de acordo com o google, o bonitão tem um trilho de quase 10 mil quilômetros e que para percorrê-lo por inteiro, de Moscou a Vladivostok, gastam-se quarenta dias.

Foi então que minha amiga comentou que no livro O Aleph, do Paulo Coelho, a história se passa justamente no Transiberiano. Cheguei em casa e fui dar uma pesquisada para tentar descobrir mais detalhes sobre o livro. O que li na sinopse me chamou a atenção e serviu de inspiração para este post.

Dizia uma parte dela que “ao longo da viagem, Paulo vai, pouco a pouco, saindo do seu isolamento, se despindo do ego e do orgulho e se abrindo à amizade, ao amor, à fé e ao perdão, sem medo de enfrentar os desafios inerentes à vida. Da mesma maneira que o pastor Santiago em O alquimista, o escritor descobre que é preciso ir para longe a fim de compreender o que está perto”.

Meu pai costuma dizer que tudo aquilo que nos tira da nossa velha e aconchegante rotina provoca incômodos. Pela incerteza do que vamos descobrir fora dela. De tantas coisas que podem dar errado. E como é fácil achar que darão em uma viagem. São tantos receios… De não conseguir entender ou se fazer entender em um lugar que não o nosso. De como passar a noite com um travesseiro que não encaixa tão bem. Aquele medo de perder o programa favorito, as horas de sono em uma cama muito dura, a vitamina matinal que só sua mãe sabe fazer tão bem. Mas quantas coisas perdemos por medo de perder.

Forçar-se a sair do conforto do dia-a-dia pra enfrentar o mundo e todas as suas incertezas é um ótimo exercício de autoconhecimento. Faz com que você veja ou relembre quem você realmente é fora daquilo que você se condicionou a ser pelo e para o cotidiano. Faz com que você transponha barreiras internas e se conecte com aquilo que está ao seu redor. Faz você testar os seus limites e seu autocontrole. Faz você ir para bem longe dos seus problemas e colocá-los em perspectiva diante do mundo; eles ficam bem menores. Faz com que você se abra à vida, e a encare com mais leveza. Faz com que você olhe e realmente veja suas belezas. Faz bem para a alma.

Esqueça os medos. Pare de culpar o tempo, o dinheiro, os filhos, os pais, o emprego. Deixe de lado tudo  isso por um instante, quebre o seu cofrinho, junte as moedinhas e invista em si. Viaje. Como quer que seja.

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Vá de avião, de trem, de carro ou de bicicleta. Com uma mala, uma mochila ou uma trouxa. Para logo ali, lá ou acolá. Por um dia, um final de semana, um mês ou, por que não, para sempre.

 

“Não viajo para fugir da vida. Viajo para a vida não fugir de mim.”

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